IGUALDADE NOS CONCERTOS

17:21


Hoje venho abordar um tema particularmente importante para mim. Se me conhecem, de certo sabem o quanto eu sou fascinada pelo mundo do espectáculo, especialmente por concertos e todos os tipos de performances ao vivo (teatro, dança, etc.). Desde de criança que sempre foi um hábito para mim ir a espectáculos. Ao longo dos tempos tenho-me apercebido na lacuna enorme que o nosso país apresenta no que toca a serviços e acessibilidades para pessoas com mobilidade reduzida (hello me!). Decidi portanto (por iniciativa própria, sem qualquer tipo de fim académico ou estudo) fazer um questionário sobre o que as pessoas achavam sobre esta temática e de certa forma também para as fazer reflectir sobre este assunto (que muito provavelmente nunca lhes tinha passado pela cabeça!). 

Passo a explicar melhor:

  • Muitos dos deficientes motores têm necessidade obrigatória de UM acompanhante (o meu caso) para necessidades básicas (idas à casa de banho, refeições, ajuda para aparelhos respiratórios, etc etc.);
  • Na maioria dos sítios o acompanhante é obrigado a pagar, quando na realidade vai apenas e somente para ajudar a pessoa deficiente;
  • Na grande parte dos recintos de espectáculos (concertos ou não), apenas existe um local específico para pessoas com mobilidade reduzida. Acontece também muitas das vezes esse lugar ficar ao lado dos lugares vip's e por isso ser mais caro do que os outros, não dando à pessoa opção de escolha.
    • Exemplo real (meu caso): Há 2 anos fui ver o Lisbon Film Orquestra (lindo, lindo! adorei embora os percalços) que actuaram no teatro Tivoli em Lisboa. Os únicos lugares acessíveis para pessoas em cadeira de rodas eram uns camarotes que estavam na plateia de baixo. Como eram camarotes, o preço era o mais caro que estava à venda. Fui portanto, obrigada a ir para aquele lugar e ainda mais a ter de pagar o bilhete mais caro (tanto eu como o meu acompanhante). Para terem uma noção, o bilhete mais barato era 5€ e o mais caro 15€. Se eu quisesse ir para um lugar a 5€, não me deixariam. É verdade, isto aconteceu mesmo...
Pondo as cartas em cima da mesa, interrogo-me se estas políticas são as mais correctas e justas... 
Fiz o meu 'trabalho de casa' e descobri que em Inglaterra tanto o acompanhante não paga, como existem lugares específicos para pessoas com mobilidade reduzida espalhados por TODO o recinto, com diferentes preços e com as devidas acessibilidades e segurança. Se eu quisesse ir a um concerto e estivesse interessada em pagar o bilhete mais barato, teria um lugar certamente mais atrás com uma menor visibilidade. Mas caso eu quisesse ir para as primeiras filas (coisa que cá em Portugal já me impediram várias vezes de o fazer...), teria também lugares apropriados e o preço seria logicamente mais caro.

Obviamente que com a benesse do acompanhante não pagar, haveriam sempre uns cromos a aproveitar-se disso, sobretudo porque vivemos num país de chicos espertos! Fiquei contente com a maioria das respostas que obtive no meu questionário. Deram também o exemplo das crianças. Têm razão! As crianças também precisam de um acompanhante (nem vou pegar na questão de que os espectáculos para crianças não são só feitos para elas. sobrevivem sobretudo à custa de famílias! incluindo avós eheh) sim senhora, e não existe benesse para estes. No entanto há que lembrar que provavelmente daqui a 10 anos essas crianças já devem poder ir sozinhas as concertos, enquanto os deficientes, serão deficientes para todo o sempre! ;)

Caso eu prossiga com a ideia de fazer uma petição pública para tornar esta situação mais 'justa', espero poder contar com a vossa assinatura!


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