JUSTIN BIEBER: FANATISMO NA CULTURA POP

22:47

Fanatismo e fundamentalismo. As duas palavras-chaves da cultura pop e dos anti-cultura pop. Não, não fui ver o Bieber na sexta-feira passada. Não, não sou fã. Mas sim, gosto dele. Nunca fui uma “belieber” (nome dos membros deste fandom), cheguei mesmo a não puder com ele, desde que o vi há uns bons 5 anos numa entrevista. Um puto presunçoso e convencido foi o me pareceu.
Felizmente consegui ver um pouco mais além da ridicularização que a sociedade faz do Justin quando este lançou o álbum Purpose em 2015. Quem conhece o álbum sabe, ou deveria saber, que foi produzido pelos melhores produtores de EDM-pop da atualidade. Basta ouvi-lo. E peço por favor, a quem simplesmente não o suporta que passem a fase da ignorância e oiçam o álbum. E façam a vossa crítica pessoal. Esqueçam que é o Biebs a cantar, simplesmente oiçam e tentem ser imparciais. Digo-vos: o disco está extraordinariamente bem produzido. Musicalmente falando.

Não me venham com a treta que o Justin Bieber não canta. Não gastem essa frase. Novidade: ele canta, e não é preciso ser-se uma Whitney Houston ou Michael Bublé para se entrar na industria musical e ser-se uma megaestrela. (Já agora, se querem falar do playback, vejam os espetáculos do La Feria. O facto de serem em playback não significa que os atores não saibam cantar.)
Basta ouvir Madonna. Ela faz tudo menos cantar “bem”. Ok, é relativamente afinada. Mas fica por aí. Dança mais do que canta. Mas está certo. Tem o seu mérito. Produziu as suas próprias músicas e a sua própria carreira. É tudo menos burra e estupida. Conseguiu sempre acompanhar as tendências da música pop. Sempre, sem exceção, até aos dias de hoje. E é o ícone que é.

Quanto à idolatrarão do JB e ao facto de surpreendentemente, pelos vistos, interferir imenso com a vossa felicidade, não devem de certo conhecer os Beatles. Digo eu, não sei. Penso também que nunca ouviram falar da “Beatlemania”…. Lamento por isso. Mas ficam a saber que dizem que foi em 1963 que este movimento de fãs começou. Raparigas a gritar, a chorar e a desmaiar.



Nos anos 90 temos a febre das boysbands e girlsbands. Agora temos o Bieber, os One Direction, entre outras bandas. Posto isto penso que se pode dizer que são fenómenos “normais” e recorrentes. E o mais engraçado de tudo é que bandas como os Beatles ou as Spice Girls marcaram sem dúvida gerações e o showbiz da altura. E a maioria das pessoas hoje em dia sabem quem foram e olham para “trás” com um certo carinho.
O facto de uma adolescente dormir 5 ou 4 noites ao relento e com imenso frio “só” para ver a quem lhe designam o seu ídolo, não faz dela mais ou menos estúpida. O facto de um ser humano ter hormonas e estar na fase da puberdade e adolescência (aquela idade parva por onde todos nós passamos, sabem?) não invalida que seja uma pessoa decente, que tenha bom aproveitamento escolar ou até mesmo que vá ter um bom futuro profissional.
Costumo olhar para este tipo de fanatismo como se fosse uma espécie de religião. Os seus aclamados ídolos são deus, e todos estes rituais “exagerados” como todos nós achamos, são por exemplo as peregrinações. Uma comparação estúpida, mas que no fundo até faz sentido. E qual é o ditado sobre o povo (=fãs) e a religião (=ídolo + movimento de fãs)? “A religião é o ópio do povo.” A droga. E no fundo é o que estes fenómenos fazem a estes adolescentes: durante aquele período ficam “pedrados” e só conseguem ver uma coisa à frente: o seu cantor/banda preferido. Se fazem figuras tristes? Claro. Tal como alguém bêbado ou pedrado. Juntem agora a esta “droga” uma dose elevada de hormonas aos saltos e excitação. Sejamos sinceros, o Biebs até é girinho. Quem não curte rapazes girinhos que cantem bem?



Outro aspecto rápido. Não se esqueçam que o Justin Bieber cresceu e teve a sua adolescência toda no meio das luzes da fama. Não esperem que isso não tenha interferido com o seu desenvolvimento e comportamento. Isto relativamente à sua arrogância. Lidar com gajas histéricas deve ser um pesadelo. 

Portanto meus amigos, só peço é que deixem de lado todos estes preconceitos, deixem de ser marias vão com as outras e formulem bem as vossas opiniões. Pensem, olhem para a história, olhem para o mundo em vosso redor.

Já enjoa as vossas publicações no Facebook de “o mundo está perdido”. Sejam mais que isso.

P.S. – Não ao fanatismo e fundamentalismo.

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2 comentários

  1. Entendo o teu ponto de vista e concordo. Só não posso é deixar de pensar "Whaaaaat?" quando vejo certas miúdas/miúdos que às vezes já não são assim tão miúdos a dizer coisas do género "ele é o meu exemplo de vida e ele é o sentido da minha vida". Algo aí não está bem...

    Another Lovely Blog!, http://letrad.blogspot.pt/

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  2. Talvez não diria isso. A maioria das pessoas, principalmente na adolescência, precisa de ter 'ídolos' e pessoas que sejam para elas referências. Por muito bizarro que nos possa parecer, o Justin é uma referência para milhões de adolescentes! :)

    (p.s. sou mega fã do teu blog eheh)

    Beijinhos**

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